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UM BREVE RECADO DE MATUS E HARARI AOS DEPUTADOS PAULISTAS SOBRE A CPI DAS UNIVERSIDADES, por João Batista Tavares

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João Batista Tavares
Advogado e Bacharel em Ciências Econômicas

A ausência de respeito para com as universidades públicas do Estado de São Paulo, seus professores e pesquisadores, que assistiram até uma ameaça de prisão durante as reuniões da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada na Assembleia Legislativa, indica que os políticos paulistas precisam urgentemente se preparar para evitar injustas agressões àqueles que são os responsáveis pela implementação da política de ciência, tecnologia e inovação, que é a base fundamental para o desenvolvimento socioeconômico de qualquer país.

Antes de discutirem e votarem as Propostas Emendas Constitucionais à Carta Estadual que emergiram da CPI, com o único objetivo de alargar mais uma vez inconstitucionalmente as competências do controle externo, recomenda-se aos nobres Deputados Estaduais que leiam atentamente os artigos 70 e 71, incisos II e III, combinados com o artigo 75, que tornam obrigatória a submissão dos Estados ao modelo federal de controle externo, e, ainda, o artigo 207, que garante às universidades autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, todos da Constituição Federal da República Federativa do Brasil.

Os contribuintes e eleitores paulistas não elegem os Deputados Estaduais e nem pagam altos impostos para que a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo elabore leis inconstitucionais que reduzam as liberdades e distanciem o Estado dos demais membros da federação brasileira. Afinal, São Paulo também é Brasil ou não?

A propósito, o saudoso economista Carlos Matus que foi ministro da
Economia do Chile no início da década de 1970, concebeu as primeiras ideias acerca da capacidade do Planejamento Estratégico Situacional (PES) de promover a melhoria da gestão pública. Publicou diversos livros sobre política, planejamento e governo. Destaca-se aqui trecho do livro O método PES: entrevista com Matus (Huertas, Franco. Tradução Giselda Barroso Sauveur. São Paulo, FUNDAP, 1996), cujo conteúdo continua atualizadíssimo para o período vivenciado no estado de São Paulo e no Brasil, nas últimas três décadas.

Colaciona-se a seguir trechos da entrevista revelando que Matus, à época estava:

“convencido de que, em nossos países, os governos têm pouquíssima capacidade de governo e cita, como exemplo, os gabinetes dos presidentes: para ele, são o que há de mais primitivo na América Latina, e só perdem, em anacronismo, para os gabinetes de dirigentes de partidos. Mas está convencido do valor da democracia e da imperiosa necessidade de resgatarem-se os partidos políticos. A política é nobre e complexa, afirma, ainda que, às vezes, esteja dominada pelo que há de mais medíocre na sociedade. Aqueles que dizem que política é suja sujam-na ainda mais. Quem se abstém de participar da vida política é cúmplice da mediocridade e da corrupção. É hora de os capazes e honestos invadirem o campo da política. Matus rechaça com mesmo rigor a política tradicional e o tecnocratismo. O planejamento moderno – diz – é, ou deveria ser, a principal ferramenta de trabalho do político. Mas os políticos ainda não sabem que não sabem e, portanto, ainda não podem aprender”.

Este também foi o recado transmitido na Aula Magna no Congresso Nacional por Yuval Noah Harari: “Eu sei que hoje em dia há um movimento de ’políticos autênticos’, que imediatamente dizem a primeira coisa que vem às suas cabeças. Eu não quero políticos autênticos. Eu quero que pensem antes de falar o que lhes vem à mente”.

Disse, ainda, o professor Harari na reportagem de Mariana Haubert, em O Estado de S. Paulo, 10.11.19: “Eu penso na minha própria mente e vejo quanto lixo existe lá. Então eu não quero simplesmente falar a primeira coisa que veio à minha cabeça”. E ainda:

No longo prazo, se você não proteger a sua mente, você simplesmente está sendo levado. Claro que você não pode desconectar completamente, você não seria um político, é parte do seu emprego, mas eu acho que é muito importante achar um tempo e um espaço para estar completamente desconectado, de tempos em tempos.

Para evitar exposição desnecessária e negativa da imagem das instituições de ensino superior e de pesquisas de São Paulo, sugere-se aos nobres deputados estaduais que leiam a “Proposta/desafio aos futuros eleitos de São Paulo”, disponível no blog do jornalista Fausto Macedo (Estadão, 25/7/18), e, com a urgência que o Estado de São Paulo requer, procedam ao recepcionamento da Carta da República, que foi vilipendiada pela Constituição Estadual, retirando desta todo entulho autoritário que ainda está presente, com o intuito de reforçar o poder do controle externo.

Almeja-se com este pequeno texto provocar as pessoas que ainda nutrem a esperança de ver o Brasil melhorar com os políticos trabalhando para, efetivamente, proporcionar educação, saúde, segurança, com estímulos ininterruptos ao desenvolvimento científico, tecnológico e inovador, lembrando que inexistem outros caminhos para que o país possa almejar alguma aproximação com o primeiro mundo e, certamente, não será por meio da valorização somente do controle externo que o país vai avançar!

Bahige Fadel

PROVA DE RESISTÊNCIA, artigo de Bahige Fadel

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PROVA DE RESISTÊNCIA

Impressionante como esse período de pandemia está testando as nossas questões físicas, técnicas e psicológicas. Nos meus setenta e quatro anos de vida, passei por diversas situações muito difíceis, mas nenhuma delas tão demorada assim. Essa, além de difícil, já dura mais de um ano, sem final previsto. Muito provavelmente teremos que passar por muitos testes e provações. E haja resistência para tantos testes e provações.

 

Sem dúvida alguma, é uma guerra. E para enfrentarmos o inimigo, temos que ter estratégias, temos que ter força, persistência, competência e paciência. O inimigo é poderoso. Inicialmente, pegou-nos de surpresa, estávamos desprevenidos, e as consequências foram terríveis. Agora não estamos mais desprevenidos, criamos algumas armas de combate, mas o inimigo também é esperto e está criando novas armas para nos vencer.

 

Os grandes comandantes tomaram a dianteira, sem saberem direito o que fazer. Eram novatos nessa guerra. E ao invés de admitirem o despreparo, começaram a tomar atitudes, as mais estapafúrdias possíveis. O inimigo não era atingido nem de raspão. Quando mais esdrúxulas as atitudes dos nossos comandantes, mais mortes o inimigo provocava. Ao invés de mudarem as estratégias, preferiram lutar uns contra os outros, como se o inimigo fosse a outra autoridade, não o vírus. E as perdas foram aumentando. Assim mesmo, as estratégias de defesa e combate não mudavam. É que é muito difícil reconhecer o erro ou a incapacidade. É mais fácil gritar que a culpa é do outro.

 

E nós – povo – sendo bombardeados por nossos comandantes e pelo vírus mortal. Faça isso, faça aquilo. Não faça isso, não faça aquilo. E a gente fazendo isso e aquilo, não fazendo nem isso nem aquilo. Assim mesmo, as infecções continuam, as mortes continuam. E a gente tentado evitar o vírus e o cansaço, a depressão, a angústia, o medo, a incerteza, o desespero, a dor, a solidão, a raiva, a tristeza, o tédio, a falta de emprego, a falta de dinheiro. E a economia caindo aos pedaços. A culpa é deste! Não, a culpa é daquele! Muitos procurando culpados, poucos procurando soluções.

Um dia, o vírus irá embora. As vacinas estão aí. Não são perfeitas, por enquanto, mas, com o tempo serão mais eficientes. E sós? Podemos nos livrar do vírus. Disso eu tenho certeza. E quem nos livrará de todos os medos acumulados, de todas as angústias acumuladas? Quem?

 

De uma coisa estou certo: terminado o problema do vírus, nós é que pagaremos a conta, não as autoridades que exigiram que fizéssemos isso ou aquilo, sem a menor eficácia; que não fizéssemos nem isso nem aquilo, sem a menor eficácia. Você tem alguma dúvida?

BAHIGE FADEL

 

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Bahige Fadel

A REPETIÇÃO DO ERRO – artigo de Bahige Fadel

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A REPETIÇÃO DO ERRO

Alguém muito observador disse, um dia, que é tolice fazer as coisas sempre do mesmo jeito e esperar por resultados diferentes. E é verdade. Se você faz tudo sempre igual, a tendência é obter resultados iguais.

E por que estou comentando sobre isso, agora? É que eu fiquei meio desconfiado com o andamento dos últimos acontecimentos relacionados à pandemia.

Preste atenção. Não estou aqui para criticar pessoas ou autoridades. Nada disso. Ainda acredito que cada um está fazendo o que pode para que a situação melhore. Infelizmente, muitas pessoas não têm muito para oferecer. E mais infelizmente ainda, muitas dessas pessoas ocupam cargos que deveriam ser ocupados por pessoas mais competentes. Essa é a realidade. A questão é outra. É que já estamos há mais de um ano com medidas para impedir o alastramento da pandemia.

Distanciamento social e uso de máscaras estão aí desde março do ano passado. E naquela época o número de infecções era irrisório em relação ao que temos hoje. Vamos nos sacrificar, vamos fechar escolas, indústrias e estabelecimentos comerciais para evitar o alastramento da doença. E daí, foram aumentando as limitações. E a doença aumentando.

Chegamos até ao lockdown (isolamento ou restrição de acesso imposto como uma medida de segurança, podendo se referir a qualquer bloqueio ou fechamento total de alguma coisa, especialmente um lugar). E a doença se alastrando. Com isso, falências a rodo, economia em cacos, depressão aumentando visivelmente na sociedade, pessoas desesperadas passando fome. E a doença se alastrando.

É aí que a porca torce o rabo. Não é hora ainda de se fazer uma análise do que está dando certo e do que está dando errado? É hora ainda de continuar tomando as mesmas medidas, com todas as consequências que estão ocorrendo? Ou será que é verdade que o pessoal está mais perdido do que cego em tiroteio? Ou será que estão tomando essas medidas apenas para dizer ‘estamos tomando medidas’? Será mesmo que não há nada mais para ser feito, que possa trazer resultados melhores? Tudo que é possível já está sendo feito?  O lockdown traz mesmo resultados tão bons que vale a pena o risco de arrebentar com a economia do país, de levar milhares de pessoas à falência e ao desespero, de criar outras situações que podem levar a mortes trágicas? Será?

Estou começando a ter sérias dúvidas. Só que, infelizmente, eu também não tenho ideia alguma. É que eu sou apenas um professor de português. Não sou um cientista.

E a angústia continua.

BAHIGE FADEL

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Bahige Fadel

INTOLERÂNCIA – Bahige Fadel

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INTOLERÂNCIA

‘Do ponto de vista social, as pessoas intolerantes não conseguem aceitar divergentes pontos de vista, ideias ou culturas, principalmente pelo fato de não compreenderem a diversidade da qual é formado o mundo.’

‘Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos Mutantes’ (SAMPA – Caetano Veloso)

Tenho escrito algumas vezes sobre a intolerância que impera atualmente neste mundo de Deus. Então, fui procurar alguns significados relacionados, para dar mais consistência à minha reflexão de hoje. Achei essas duas, bastante pertinentes. A primeira explica o que é o intolerante, sob o aspecto social. O intolerante é aquele que não consegue aceitar pontos de vista divergentes. Isto é, o intolerante só consegue aceitar o ponto de vista igual ao que ele defende. Só a opinião dele é que vale, que é certa, que deve ser aceita. É como se a opinião dele fosse lei, fosse uma tese, fosse um dogma. Assim, não se deve suportar a existência de algo que contrarie essa opinião. É o fim do diálogo, é o fim da conversa. O que vale é a opinião do intolerante, e pronto. O resto é o resto.

A seguinte é uma letra de Caetano Veloso, que aborda o significado do narcisista. Ele acha feio o que não é espelho. Assim, tudo que é diferente dele não presta, não deve ser aceito, deve ser repudiado. O narcisista é um intolerante egocêntrico. Só ele vale, só ele é bonito, só ele presta, só ele deve merecer a admiração dos outros.

É uma pena que esses narcisistas intolerantes existam em grande quantidade. Quando se fala em política, então, eles fervem em todos os lugares, principalmente na mídia e nas redes sociais. Eles não abrem a boca para emitir uma opinião ou uma ideia a respeito de algo. Eles abrem a boca para dizer que só eles estão certos, que todos os outros estão errados, que ninguém sabe coisa alguma, exceto eles. E o pior de tudo é que são raivosos, violentos, muitas vezes chulos em suas palavras. Acham que podem dizer tudo que querem, são eles os detentores da verdade. E os outros não podem dizer nada, pois nada sabem sobre a verdade. Não aceitam o diálogo. São incapazes de dialogar, de admitir que o outro pode estar certo. São o centro do monólogo, isto é, o centro de si mesmos.

Esses narcisistas intolerantes não ajudam em nada, não colaboram com coisa alguma que possa ser positiva. Não acrescentam nada de novo. Gostam de ouvir a sua própria voz ou de ler as suas próprias palavras. Se o outro fala, é fake; qualquer coisa que ele fale é a mais pura verdade, que deve ser seguida cegamente.

Infelizes daqueles que se deixam levar pelos narcisistas intolerantes! Não chegarão a lugar nenhum. Nada aprenderão. Não encontrarão a luz que procuram (se é que a procuram).

BAHIGE FADEL

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